Aqueles que fazem a festa não sabem perder

É mais do que justo quando falam que o Brasil é o país do Carnaval. Afinal, somos capazes de transformar belas histórias em alegorias fantásticas, sambas enredo em canções que não deixam ninguém parado e fantasias que mexem com o nosso lado mais lúdico. Assim é o Carnaval: uma beleza que leva exatamente um ano para ser erguida. Porém, tudo é contraditório.

 

DANIEL TEIXEIRA/ AE

Como explicaríamos, sei lá, para um americano que aqueles que dão duro para fazer uma festa tão excepcional são os mesmos que ateiam fogo em carros alegóricos, que arremessam cadeiras, que rasgam as notas, que enfeiam a festa. Como explicaríamos as fotos que estamparam os jornais desta quarta – de camburão, delegacia e polícia – no lugar da festa da escola campeã?

Depois disso tudo, merecidamente, a Prefeitura de São Paulo ameaçou cortar o repasse de verbas para a Liga das Escolas de Samba caso os responsáveis não sejam punidos. E, daqui a pouco, o Ministério Público entra na história… E o Carnaval vai sair da avenida colorida para os tribunais cinzas e sisudos. Que coisa mais triste!

E termino a minha indignação com um poema chamado “A Arte de Perder”, da poetisa norte-americana Elisabeth Bishop, que tem tudo a ver com o que vimos ontem.

A arte de perder não é nenhum mistério;
(…)

Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente
Da viagem não feita. Nada disso é sério”

Já cansou do Carnaval?

Sei que a folia ainda nem chegou de fato, mas se você for como eu, uma pessoa que já não aguenta mais ouvir axé, marchinhas, sambas enredo e está com as mãos coçando de vontade de socar o Rei Momo, aí vai uma dica para esses dias.

O Theatro Municipal de São Paulo, que fica no centro da cidade, vai sediar uma série de comemorações dos 90 anos da Semana de Arte Moderna de 1922. As apresentações começam nesta quarta-feira (15) e seguem até o dia 26. Hoje (quarta), às 20h, acontece a ópera Magdalena, de Heitor Villa-Lobos. Esse mesmo espetáculo também ocorre nos dias 17, 23 e 25 deste mês.

Já nos dias 16, 18 e 24 de fevereiro, também às 20h, e no dia 26, às 18h, será a vez da ópera Pedro Malazarte. No dia 25 é a vez do pianista Caio Pagnano, que fará um recital com o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo. E, por fim, no dia 26, a Orquestra Experimental de Repertório sobe ao palco às 11h.

O preço dos ingressos varia de R$ 10 a R$ 100. Outras informações você pode conferir no www.teatromunicipal.sp.gov.br

Fica a dica.

Qual é o limite da democracia?

A Advocacia-Geral da União, em Goiás, entrou com uma ação civil pública contra as contas do Twitter que alertam os seus seguidores sobre blitzes da Lei Seca. Embora esta ação seja apenas naquele estado, o fato está gerando discussões Brasil afora. E eu confesso: minha opinião está dividida – por dois motivos.

Primeiro. Não tem como não concordar com os argumentos apresentados pela AGU, que alega que a fiscalização exerce um papel fundamental na redução no número de acidentes de trânsito que são provocados por motoristas que dirigem embriagados. Outro argumento é que esses alertas nos microblogs podem, também, ajudar bandidos/ sequestradores/ traficantes e afins.

Segundo. Essa ação coloca em xeque o princípio da democracia. Até que ponto o Estado pode interferir em iniciativas como a de criar microblogs? Seria isso uma censura? Será que toda e qualquer iniciativa terá que ser submetida ao crivo do Estado a partir de agora?

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Qual é a sua opinião?

Wando, temporal, estômago e Corinthians

Ontem foi o meu pior dia do ano. Definitivamente. Primeiro porque, logo pela manhã, recebi a notícia da morte do Wando. Nunca fui fã dele, mas fiquei triste por saber que os bons cantores estão dobrando a esquina e dando lugar a uma música de qualidade duvidosa. Mas, enfim: não vou aqui discutir música. Prefiro deixar esse assunto para o Fábio França e Filipe Manoukian, do blog Na Vitrola, e para o meu amigo Adriano Pereira, no seu Solta o Pause.

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Voltando. Na hora do almoço, o meu estômago começou a dar sinais de que a quarta-feira também não seria um bom dia para ele. Dito e feito. Fiquei boa parte da tarde à sua procura, que ora se escondia entre a minha cabeça e o pescoço, ora ficava perto do meu joelho, sabe? Resultado: peguei o meu carro e fui pra casa. Só que, justamente nessa hora, São Pedro resolveu me pregar uma peça. Uma peça daquelas ainda. Um temporal como eu nunca tinha visto. Cheguei no meu carro encharcado. No caminho até a minha casa, árvores e postes de luz, caídos, impediam a passagem. Um caos.

crédito: vinicius novaes

Por fim, à noite, quando o meu estômago resolveu, enfim, se comportar e a chuva, cessar: adivinha? O meu Corinthians fez uma das piores partidas do ano e o Palmeiras havia vencido e assumido a liderança do Campeonato Paulista. Agora, me diz: foi ou não um dia para se esquecer?

Encontrei Portinari para combater o mau humor

Confesso: hoje eu acordei disposto a propagar o meu mau humor por aqui. Mas mudei de ideia graças a Cândido Portinari. Isso mesmo. Acabei de receber o convite para a exposição Guerra e Paz, que começa nesta terça-feira (7) no Memorial da América Latina, aqui em São Paulo.

A mostra apresenta os dois últimos murais criados pelo artista depois de um trabalho de restauro realizado no ano passado. As belas pinturas estarão expostas junto com estudos originais preparatórios para Guerra e Paz, além de uma centena de documentos históricos, entre cartas e fotos, que contam, em detalhes, toda a trajetória de criação das obras, encomendadas pelo governo brasileiro para presentear a sede da ONU, nos Estados Unidos.

repordução

A exposição fica em cartaz até 21 de abril – de terça a domingo, das 9h às 18h. O Memorial da América Latina fica na avenida Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda. A entrada é gratuita.

#ficadica

Assino embaixo. E você?

Já travei algumas boas discussões com alguns amigos sobre a questão de usar o transporte coletivo de São Paulo ao invés do carro. Nunca sucumbi a essa campanha popular. Não é arrogância, nem algo do gênero: é apenas a postura de uma pessoa que não concorda em pagar um preço absurdo numa passagem de ônibus ou num bilhete de metrô para pouca qualidade. Simples – pelo menos para mim.

Tudo isso só para falar sobre uma pesquisa realizada pela ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos), divulgada nesta semana, em relação à qualidade do transporte na Grande São Paulo. O resultado: ao menos quatro em cada dez moradores da capital paulista e da região metropolitana consideram ruim a qualidade do transporte coletivo e são pouco otimistas em relação à melhoria do sistema para os próximos quatro a cinco anos. De acordo com o estudo, 41% acham “ruim” a qualidade do transporte coletivo em São Paulo, 18% avaliaram que o serviço é “bom”, e 41% classificaram o serviço como “nem bom, nem ruim”.

Por fim: só vou deixar o meu carro em casa no dia em que o Governo me oferecer um transporte de qualidade.

Reprodução/ geledes.org.br

Greve de ônibus, alagamentos e o prefeito, olha, só pensa naquilo

Veja só que curioso. Hoje, logo pela manhã, abri um dos maiores portais de notícias e vi três notícias. A primeira, em destaque, falava sobre a paralisação de motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo. Eles cruzaram os braços entre 3h e 6h30. Foi pouco tempo, você diz. Tem razão, mas foi o suficiente para atrasar a vida de milhões de paulistanos. E ainda tem mais: sabe o motivo dessa paralisação? As multas que são aplicadas aos motoristas. Quem anda por São Paulo, sabe que essas multas são injustas, claro: afinal, os motoristas quase não atravessam no sinal vermelho e nem fecham cruzamentos.

A segunda notícia foi sobre o rompimento de uma tubulação na região central de São Paulo, que alagou algumas das principais vias de ligação da capital. Até onde eu li, os comerciantes da região estava computando os seus prejuízos. Isso sem falar nos moradores que tiveram que deixar as suas casas.

E a terceira notícia é essa daqui: “Prioridade do PSD é candidatura própria”, afirma Kassab.

reprodução

Porque gosto de São Paulo, ora bolas…

Reprodução

 (uma singela homenagem aos 458 anos da capital paulista)

Se quem me pergunta se gosto de São Paulo for morador dessas bandas de cá, pronto: eu descarrego toda a minha raiva acumulada por conta daquele dia que eu fiquei quarenta minutos andando a cinco por hora na Rebouças ou pela vez em que perdi o sono quando vi uma senhora sendo assaltada em frente ao meu prédio num belo domingo de sol. Também falo sobre o dia em que fui multado por falar ao celular enquanto dirigia (detalhe: bem que eu gostaria de estar dirigindo naquele dia de trânsito estático na Paulista) ou sobre a falta de educação dos motoristas de ônibus, sobre o alto preço dos bilhetes de metrô, sobre o mau cheiro do Tietê e do Pinheiros, dos constantes alagamentos, do caos de Congonhas, da poluição, do vizinho que não me deixa dormir… 

Mas se quem me pergunta for alguém que mora longe daqui, pronto: eu mostro a minha satisfação em viver numa cidade que abriga os mais fantásticos bares e restaurantes, onde trabalham os melhores – e mais rápidos – garçons que eu já conheci. Também falo da Paulista, uma das mais belas avenidas por onde já passei até hoje, e sobre os parques que ainda conseguem dar um pouco mais de vida à cidade. Falo sobre uma cidade que guarda pedaços do mundo. Um lugar que abre portas, amizades e amores. São Paulo é a cidade onde tudo acontece e que inspira poetas e músicos. São Paulo também me inspira – de um jeito esquisito, é verdade, mas inspira. É onde o concreto, quase sempre sisudo, te faz parar e admirar. 

Essa é a minha São Paulo.

Pelo jeito, só Ashton gostou

Depois do temporal que caiu em São Paulo nesta tarde, eu me lembrei de um texto fantástico da escritora Marina Colassanti. Não sei se você conhece, mas a crônica Eu sei, mas não devia fala justamente das coisas ruins que existem e que, quase sempre sem perceber, a gente acaba vivendo-as como rotina. Para o paulistano, os temporais, que alagam ruas, derrubam árvores e deixam o trânsito ainda mais caótico, já viraram rotina.

E também já virou rotina gastar algumas horinhas a mais no shopping para esperar a água abaixar para chegar em casa. E também já virou rotina procurar caminhos alternativos – e quase sempre mais longos – para desviar da avenida que ficou alagada por conta do córrego que transbordou. E também já virou rotina deixar o carro na rua porque uma árvore caiu em frente à garagem do seu prédio.

Pelo jeito, o temporal desta tarde só deixou uma pessoa feliz: o ator americano Ashton Kutcher. Só ele mesmo.

 

Reprodução/ Twitter/ aplusk


São Paulo Vs São Pedro

Ontem, pelo jeito, as coisas não andaram na perfeita paz lá em cima.

E, hoje, parece que vai ter briga de novo.