Aqueles que fazem a festa não sabem perder
É mais do que justo quando falam que o Brasil é o país do Carnaval. Afinal, somos capazes de transformar belas histórias em alegorias fantásticas, sambas enredo em canções que não deixam ninguém parado e fantasias que mexem com o nosso lado mais lúdico. Assim é o Carnaval: uma beleza que leva exatamente um ano para ser erguida. Porém, tudo é contraditório.
Como explicaríamos, sei lá, para um americano que aqueles que dão duro para fazer uma festa tão excepcional são os mesmos que ateiam fogo em carros alegóricos, que arremessam cadeiras, que rasgam as notas, que enfeiam a festa. Como explicaríamos as fotos que estamparam os jornais desta quarta – de camburão, delegacia e polícia – no lugar da festa da escola campeã?
Depois disso tudo, merecidamente, a Prefeitura de São Paulo ameaçou cortar o repasse de verbas para a Liga das Escolas de Samba caso os responsáveis não sejam punidos. E, daqui a pouco, o Ministério Público entra na história… E o Carnaval vai sair da avenida colorida para os tribunais cinzas e sisudos. Que coisa mais triste!
E termino a minha indignação com um poema chamado “A Arte de Perder”, da poetisa norte-americana Elisabeth Bishop, que tem tudo a ver com o que vimos ontem.
“A arte de perder não é nenhum mistério;
(…)
Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente
Da viagem não feita. Nada disso é sério”











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